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o Homem Certo

Mãe e filha, só que NÃO!

Estávamos à conversa, em negocio.

Uma senhora cinquentona com uma menina de vinte e outro cliente.

A menina ficou sempre calada e à parte, enquanto a senhora mais velha falava para o senhora a seu lado, eu meti conversa com a miúda.

 - Então és colega? - disse eu

 - Não! - Adoro pessoas faladoras que respondem sim e não.

 - Ahhhhhh estás a aprender, estagiaria?

 - Não. - comunicativa, pensei, irra, mais uma e desisto de por conversa.

 - Ah veio com a sua mãe...

 - Não é minha mãe.  - Baixou os olhos, corou e sorriu.

Eu ri-me. Só depois de cinco segundos é que percebi que eram namoradas, que tonto, nem reparei, claro. E pronto achei-me o gay menos atento da zona.

Enfim ninguém adivinha, calei-me continuei nos negócios.

 

Homofobia, medo, bullying. Ser Gay

Todos na nossa  vida já fomos gozados. Eu já fui, quando era pequeno chamavam-me maricas, mariquinhas, paneleiro, panasca, etc, etc. 

Hoje não tenho tiques ou trejeitos, ou não tenho muitos, porque aprendi desde pequeno a ser como ELES por fora, mas nunca por dentro, hoje não sinto revolta, nem me lembro assim de nada que me tenha marcado muito pela negativa, pelo facto de ser gay.

Consegui esconder muitos anos este meu lado Gay, dos amigos, da família em geral. Houve sempre quem desconfiasse.

Hoje tenho o método não escondo mas não conto. Conto se perguntarem, se não perguntarem não conto.

Sou feliz assim, à minha maneira, nem melhor nem pior, por ser gay, mas bem resolvido comigo.

Escrevo assim porque todos os meus amigos aceitaram bem este facto da minha vida, e ninguém deixou de gostar de mim quando descobriu, apenas os meus pais ficaram desgostosos, mas é a vida e contornamos bem o tema e conseguimos conviver, com o meu lado gay e a desaprovação deles.

Para alguns foi um choque, para outros uma confirmação.

Sei que há pessoas que falam bem outras mal, prefiro que falem nas costas para que não as ouça, porque uma coisa que exijo é respeito.

Já basta de vez em quando levar com uma piadinha de gays e paneleiros, umas vezes contadas sem querer outras por querer. 

Uma vez depois duma festa vinha de mãos dadas com o meu namorado, pela avenida da liberdade, lindos, maravilhosos e felizes, e vimos um senhor a olhar fixamente com cara de nojo e raivoso, continuamos ou de mãos dadas e abraçados. Eu esperava em ouvir qualquer coisa, mas o senhor conteve-se e eu fiquei bem comigo em não o ter largado e ter enfrentado aquele olhar recriminador .

Outra vez ignorei um senhor que pedia esmola (e que já conhecia de pedir muitas vezes) gritou Oh paneleiro do Cara***o vai ignorar não sei quem, ri-me e não me chateei.

Se um dia sentirem medo, ou deprimidos por serem gozados peçam ajuda a alguém que vós ame, ou um amigo fiel, ou então pensem ninguém é melhor do que eu.