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o Homem Certo

Teatro -Os espectaculos da minha vida e afins

Eu a Cláudia e o Ricardo escolhemos este tema para mais uma vez escrevermos, dia dez às dez horas o #comcanela.

 

A minha paixão pelo teatro nasceu no dia em que fui ao Maria Matos ver o Alibaba e os 40 Ladrões, era pequeno, cheguei a casa e debitei a história toda ao primeiro que aparecesse.

Mais ao menos na mesma altura começou a dar na RTP 1 a Grande Noite estamos em 1992 e eu tinha 8 anos.

 Todas as semanas gravava, via e revia vezes sem conta, e fazia os sketches lá em casa, e quando descia as escadas e ninguém estava a ver, descia-as a cantar a musica do genérico como via no programa.

Depois com o tempo liguei menos ao teatro, gostava na mesma, mas os meus pais não me levavam ao teatro, e só ia em visitas de estudo. Comecei a interessar-me mais por cinema.

Depois morreu Amália Rodrigues e Lá Féria fez o Musical, não o vi ao vivo mas vi algumas vezes em DVD, a partir daí voltou o bichinho e comecei a ir ao Teatro sempre que podia.

A partir do espectáculo A Gaiola das Loucas nunca mais perdi nenhum espectáculo do Lá Feria. Houve uns que repeti até.

Uma noite em casa de Amália vi seis vezes, já sabia algumas partes de cor.

 

Sou muito critico naquilo que vejo, ás vezes sou chato comigo mesmo, quando fui ver Uma Noite em Casa de Amália passei os  primeiros 30 minutos a pensar isto não foi assim, aquilo ali está mal a casa não é assim, a outra faz mal. Só na segunda vez me deliciei de verdade.

 

Vejo tudo, desde peças no Politeama, ao palco do Casino, ao Teatro Aberto  ou Turim ao Teatro Nacional D. Maria II, que normalmente são peças enormes, seja drama, comedia, monólogos, musicais, do mais clássico, ao mais moderno. Não aprecio muito Revista à Portuguesa. E não costumo ir ver teatro amador.

 

Como isto já está longo vou resumir:

Os espectáculos que mais Gostei foram:

 A Gaiola das Loucas

.Judy Garland - O Fim do Arco-Íris Chorei baba e ranho a ver a Vanessa Silva a interpretar Judy Garland, e eu que não gostava da actriz passei a ama-la.

O preço

A noite

A Bela e o Monstro - Era um espectáculo infantil, mas tão bem feito que senti-me totalmente um miúdo, e passei o espectáculo todo babado de lágrimas e ranhoca.

Quem tem medo de Virginia Woolf - Uma peça longa, se bem me lembro, três horas, é de ficar com o rabo quadrado, mas foi ver um filme no teatro, foi tudo muito bom, menos as cadeiras.

MARY POPPINS, a mulher que salvou o mundo - Uma peça curta, genial que ainda hoje penso nela e que fez rir do principio ao fim, ao mesmo tempo ridícula, certa e irreverente.

 

Já vi muitos actores uns melhores outros piores, génios da representação, já vi de todos os tipos.

Não posso deixar de escrever que a minha actriz preferida é Ana Guiomar, acho que a vi sempre no Teatro Aberto e surpreende-me sempre, transforma-se e vive a personagem, será daqui a uns anos a maior do teatro se a souberem valorizar.

 

Não queria dizer a pior que vi, mas vou contar a que gostei menos, porque não me disse nada, não gostei e foi quase tempo perdido, se calhar pela péssima adaptação, ou original também era mau:  Tomorrow Morning – Um Novo Dia.

Custou-me imenso ver o Coriolano, apesar de os actores serem bons e a história um dramalhão, parecia que nunca mais acabava.

Tive em salas enormes, pequenas, com cheiro a mofo, ou a naftalina dos casacos das velhas, com salas cheias ou apenas 6 espectadores, já vi actores e actrizes nuas e a cuspirem gafanhotos cada vez que falavam. Já vi mais de 60 pessoas em palcos e outras com apenas um.

Chateia-me imenso: as pessoas falarem durante o espectáculo (como quando estão e casa), mexerem no telemóvel, baterem palmas antes dos actos acabarem, principalmente quando são musicais, é que não se ouve, se baterem palmas, está bem? 

 

O que cativa e amo é sentir ali, mesmo à frente, tudo o que os actores sentem, e viver com eles as suas histórias, e nesse momentos sermos eles e viver ali com eles os seus dramas, angustias e felicidades.

 

 

A Morte

O tema deste mês do Com Canela, que partilho com a Cláudia e o Ricardo é A Morte.

 

A Morte é a coisa mais difícil da vida. O meu pai do alto da sua sabedoria popular lembra-me muitas vezes que para morrer é preciso estar vivo.

Pode ser uma coisa má, mas também uma coisa boa, porque a Morte liberta, acaba-se a dor e o sofrimento. Quando penso nisto lembro sempre da minha avó Chica que demorou dois meses a morrer, em sofrimento, apesar dos sedativos para não ter dores, sofria, por estar agarrada a uma cama e sem saber muito bem o que seguiria, não conseguia mexer-se, nem comunicar, tentou me dizer várias coisas antes de ficar inconsciente e morrer, e nunca consegui perceber.

A vida segue sem aqueles que amamos que adormeceram para sempre.

Lidamos muito mal com a Morte, em Portugal celebra-se pouco a Morte, e há um desejo enorme e uma pressa ainda maior de enterrar os mortos. Não se fazem homenagens, não se faz nada, normalmente acompanha-se o morto à cova e já está. Nunca se pensa no rito, nunca se ensaia em vida, nunca se fala.

Desde pequeno que a Morte está presente, muitas pessoas morreram, uns com mortes suaves outros mais dramáticas.

Imagino como será chegar aos 84, como no caso da minha avó Vivi e ver desaparecer tanta gente querida e mesmo assim querer continuar viva e cheia de alegria de viver cada dia com maior felicidade.

Chocou me bastante a morte do meu primo João que morreu aos 28, tínhamos 6 meses de diferença, isso mudou toda a maneira de viver a minha vida, passei a saber com certeza e de perto que a Morte tanto leva velhos como novos. Ainda por cima estávamos meio zangados, mas escrevi uma carta ao morto que mostrei a duas ou três pessoas e superei a minha dor.

A morte dos outros às vezes acaba com a vida dos vivos, matando-os aos poucos, costumo dizer que morrem para vida. 

Ela ensina-nos muitas coisas, mas às vezes somos tão parvos que não percebemos que estamos cá pouco tempo e não devíamos ser mesquinhos e apenas tentar amar uns aos outros e perdoar quem nos fez mal, e se não conseguirmos perdoar, ao menos que tentemos perceber o erro e desculpar, se possível.

Nos dias a seguir a uma morte ficamos tocados pela vida que temos e damos graças, mas a seguir esquecemos e continuamos estúpidos como se fossemos imortais e tivéssemos todo o tempo do mundo.

Se há coisa que mais me entristece é saber que vou morrer. Ás vezes pergunto-me o sentido da vida, para que construir uma muralha, um castelo, uma torre se depois tudo acaba e fica escuro?

Coisas que me fazem rir

Primeiro que tudo adoro rir, tenho um riso esquisito, às vezes rio me sem me rir.

Rio de mim próprio quando dou barraca ou cometo gafes. Rio dos outros quando fazem asneiras. Os meus sobrinhos fazem-me rir.

Quando vejo filmes ou peças de teatro rio muitas vezes onde os outros não acham graça. Não me rio de piadas fáceis. Rio quando penso em coisas parvas, quando acordo e me lembro dum sonho parvo. 

Lembrando peripécias do passado, falando de conversas ditas da "merda", farto-me de rir e não consigo nem explicar porquê.

Uma vez a minha avó pediu me ajuda para a ajudar a virar o colchão. Eu bruto, meti me em cima do estrado, puxei o colchão para cima, do outro lado da cama a minha avó, em pé esperava aparar o colchão, mas eu, sem pensar larguei-o, a minha avó não consegui apara-lo e foi assim meio projectada para a parede, batendo c a cabeça. Eu quando vi aquele drama, fiquei imóvel, (isto em segundos) a minha avó com uma mão na cabeça tipo dói-me muito e eu comecei a rir, a rir, ás gargalhadas, não sei se de nervos, mas ri, e engasgava-me para conter o riso, e quanto mais queria parar mais ria, até que a minha avó já se ria, e todos os que assistiram à cena. Depois dei lhe um beijo. Sempre que me lembro rio.

Noutra vez estava com o meu amigo Alex na piscina mais o Fred. O Alex saltava da escada uma vez, duas, três aí à sexta vez, escorregou e bateu com a canela mm no rebordo da piscina, e caiu dentro de água. Ao assistir a cena, ri e ri e voltei a rir já sem forças e engolia água, mas sem conseguir parar de rir, o Alex aflito cheio de dores, zangado comigo por eu me estar a rir, e o Fred só a perguntar vamos brincar ao Baywatch, enquanto nós quase nos afogamos.

O meu patrão uma vez caiu das escadas tipo à estrela de rock, também me ri, só um bocadinho e depois fui ajuda-lo, estava bem, depois voltei a rir às gargalhadas.

Muita coisa nos fazem rir, cada um acha graça a coisas diferentes. Coisas que me fazem rir: Monty Phyton, Herman José, vídeos de Fails, a Claudía, o Alex, a Diana, o Ricardo, a Mixórdia de Temáticas, piadas secas, Uma Nêspera no Cu, gente estúpida, Porta dos Fundos, miúdos traquinas, birras de putos, comédias francesas, peças de teatro, tantas e tantas coisas umas com mais outras com menos piadas, muita coisa me faz rir. Ah e notas, de 20€ 50€ e por aí fora também me fazem rir.

 

Este texto faz parte do desafio em que participam também os blogs: http://amulherqueamalivros.blogs.sapo.pt/ e http://oinformador.blogs.sapo.pt/