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o Homem Certo

No Trabalho

Ligou-me a colega para a minha estação, o Bigodes queria falar comigo.

Pensei, humm que será? Não temos nenhum assunto pendente.

Uma colega ainda disse prepara-te que vais ouvir.

Pensei, hum , não tem nada para ralhar, confiante.

Cheguei à sua sala.

E ouvi um raspanete porque dei o numero pessoal dele, e não posso, em momento algum dar o numero e ele paga-me para não ter contacto com as pessoas e quando não conseguir resolver sozinho converso com ele e resolvemos, nunca o cliente fala directo com ele.

Ainda disse: Mas eu não dei.

Mas o Homem disse que tinha falado contigo e que tu tinhas dado. - Disse o Bigodes já bruto - Apanhou-me, cabrão, ainda era para explicar que tinha dado há mais dum ano, resumindo eu já estava farto do Homem e dei-lhe o numero directo e ficou resolvido.

E pronto. Acabei com: Tem razão Sr.. Bigodes, sim Bigodes, certíssimo, sim, com certeza.

E é tudo, era só isto.

E lá fui eu a minha a vida. Ainda pensei vou por um anuncio na net com o teu numero. Mas passou-me, o Bigodes tinha razão.

O Bigodes só me faz passar vergonhas

Imaginem que durante um mês andam a negociar uma casa, um namoro que se arrasta, ainda por cima esteve meses vazia.

Quando está tudo acertado com as partes o Bigodes lembra-se.

- Olha temos um problema, olha comprometi-me com uma pessoa para este imóvel. Ao começo fiquei meio a pensar se estava a perceber bem, demorou um bocado a entrar na cabeça.

Para ele é sempre tudo fácil, sugeriu em vez de o cliente ficar com este imóvel  propor para ficar com outra, pelo mesmo valor e maior. Tudo muito certo. Só que eu já tinha mostrado a tal casa maior e os clientes não ficaram interessados.

Apesar de ser maior a casa que os meus clientes queriam tinha certas características que é difícil encontrar numa casa.

A ideia dele era boa, de repente ficamos com meia dúzia de imóveis despachados, contudo as coisas não são assim.

Fiquei de falar com o cliente. Fiquei fulo, verde, vermelho. E só pensava este homem só me faz passar vergonhas. Com que cara é que ia dizer e exlicar um engano que nem era meu? Era como se quando comecei o negocio, já tinha segundas intenções. Fiz várias conversas na cabeça, mas resumidamente era assim: Olhe afinal desculpe lá mas não dá, mas se quiser fica com a outra que é bem maior e pelo mesmo valor. Já estava a ver o drama todo que ia surgir dali.

Quando me dirigia para a minha sala pensei, não vou é dizer nada, se não nem um negocio nem outro. Quem tudo quer tudo perde. Fiz tempo. Mais tarde liguei a informar o Bigodes que não dava, que o cliente ficou chateado e só faltou foi chamar nomes à minha mãe e ficou fulo da vida.

Então o Bigodes lá concordou com o negocio e fui para casa aliviado e acertei mais uns pontos com o cliente. Ainda fiz aquele jogo do tem a ceteza? Veja lá.

Parece que trabalho numa empresa de malucos 2, O Bigodes

O meu patrão é um patrão à antiga.

Deve ter 65 anos, veste-se mal normalmente, usa bigode, é um bocadinho 8 e 80, tão depressa está bem disposto como a seguir esta aos berros e vice-versa. É um forreta convicto, aprendi muita coisa com ele, principalmente a ter respeito pelo valor do dinheiro, um cêntimo é um cêntimo. 

Apesar de forreta ajuda sempre quando é preciso. Admiro-o como pessoa, mas odeio-o como patrão.

A maioria dos empregados tem medo dele, borram-se todos sempre que os chama, eu não tenho medo nenhum do Bigodes, não lhe dou demasiada importância e até hoje ainda não gritou comigo, porque quando quer é uma besta.

Tenho sempre grandes conversas com ele daquelas de cinco minutos.

Gosta de explicar tudo, mesmo que já me tenha explicado 10 vezes, e se o interromper, adivinhando o que vai dizer, revira o bigode, e continua, às vezes pergunta-me se estou com pressa.

Ao principio não o percebia, e falar ao telefone com ele ainda é pior, quase que tenho de lhe adivinhar as palavras.

Falar com ele ao telefone, é a coisa mais rápida da vida, são cerca de 10 segundas.

Exemplo:

Ele - Olha preciso que faças isto assim assim, vais não sei onde.

Eu - Mas...

Ele- Pu Pu Pu Pu - Já desligou a chamada à três segundos a trás.

 

Acho que me gosta de experimentar, ás vezes pergunta quanto é que tenho a receber, dos negócios que fazemos, e eu digo o valor e ele passa o cheque, uma vez sem querer enganei-me e ele rectificou logo não é X é Y.

Sempre atento e em questão de dinheiro duvido que alguém o consiga enganar.

Já me enrolou algumas vezes, em que fico a perder e sou dou conta passado uma horas, às vezes dou logo, mas ele é que manda.

Palavra dita do Bigodes não é retirada e muitas vezes poucos têm coragem de a contestar.

 

Uma vez quase brigamos, ele ordenou que a partir daquele dia ia se fazer de uma nova maneira, eu disse que não dava, mandou me fazer no terreno, eu já sabia que não dava, mas fingi que fui tentar, entrei na sala dele, sentei-me e tivemos um discussão assim:

- Quero assim

- Não dá

- Mas eu quero assim

- Não dá

- Mas não dá porque?

- Expliquei

- Ah mas assim e assado

- Não dá

E repeti não dá, cerca de dez vezes até ele me mandar embora, e mais tarde ir constatar ele mesmo o facto.

E dessa vez ganhei.

 

E é assim, e fora do trabalho é um brincalhão, excelente anfitrião, um doce. Ali na empresa podia dizer que é uma besta. Mas no fundo e no geral até gosto dele.

 

 

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