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o Homem Certo

A pressa do dia a dia, temos sempre tempo amanhã e muito pouca para hoje

Conheci o Sr. Manuel há cerca de dois anos, ele é um senhor de uns 68 anos.

Gostamos muito um do outro, ficamos amigos jantamos pelo menos uma vez por mês, é um homem cheio de vida e cheio de histórias para contar, um contador de histórias que dá gosto ouvir, um homem que apesar da idade é novo, no pensamento e na forma de agir, é um homem deste tempo.

Vejo nele o avô que não tive.

Via-o com regularidade na missa, canta no coro, com a pressa do almoço nunca espero por ele para o cumprimentar. Vejo-o ali e adivinho que está bem.

Quando encontro o filho ou a nora pergunto sempre pelo pai e pela mãe.

No sábado à noite contaram-me que o Sr. Manuel estava internado no hospital com pneumonia e algumas complicações.

Fiquei preocupado. Perguntei ao filho se o pai estava melhor, a resposta foi assim devastadora, disse-me: Infelizmente a situação do meu pai é muito grave, só mesmo um milagre o poderá salvar. Neste momento só nos resta rezar.

E rezo para que tudo corra da melhor maneira.

 

Tenho pensando tantas vezes que não nos falamos pela pressa das nossas vidas.

 

É assim, achamos que temos sempre tempo amanhã, e que nunca temos tempo para hoje.

 

 

Trabalho 3 e 1/4

Contrataram um rapaz para a minha secção. Que bom.

Teve dois meses certinho, depois faltou, depois faltou e já não aparece há muitos dias.

 

E há malta que quer trabalhar, juro... Infelizmente este não.

Com 40 e poucos com filhos não sei p que este rapaz quer da vida.

Boas Pessoas

Fui ver a peça Boas Pessoas ao Teatro Aberto.

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As peças que passam naquele espaço surpreendem-me sempre. Tenho ideia que muitas passam despercebidas. E digo que são das melhores que vejo.

Não sabia do que se tratava, apenas sabia que a atriz principal era Maria João Abreu (MJA).

Quando me sentei na sala o pano estava aberto, e via-se o cenário simples e surpreendente, como de costume, eram vários quadrados com espaço no meio que no principio nem se percebe bem com que finalidade. Depois percebe-se que as paredes, e os vários cenários se vão encaixando bem ali naquele conjunto. O cenário é de Catarina Barros.

Um cenário sempre a mudar em que o espectador assiste sem se aborrecer, foi muito bem pensando.

 

A história desenrola-se a partir do despedimento da personagem de Maria João Abreu, é o ponto de partida para abordar variados temas como o desemprego, a questão das oportunidades, a sorte versus escolhas, a capacidade de vencer as adversidades, a educação como meio de ascender socialmente, pobres versus ricos.

 

Isto tudo contado com muita graça e humor.

 

Adorei a peça, achei tudo muito bom.

 

Fica no ar a pergunta de sermos ou não boas pessoas. Achamos sempre que sim, e falo por mim, tenho-me em grade conta. Será que somos mesmo?

 

O mais engraçado é como há certos papeis que encaixam super bem nos actores, já tinha visto duas peças com MJA e não fiquei com grande curiosidade na actriz e nesta fiquei encantado. Gostei também de ver Leonor Seixas. Todos os actores estiveram formidáveis, Irene Cruz | Leonor Seixas | Luís Lucas Lopes | Maria João Abreu | Pedro Laginha | Sílvia Filipe.

 

O preço do bilhete é de 15€

 

Consultem aqui a ficha técnica e o sinopse da peça.

 

 

 

Trabalho, recebes em duodécimos que até te f****, lixas

Hoje era o ultimo dia para informar a empresa de que não queríamos receber os subsídios de Férias e Natal em duodécimos.

Como sou mau a gerir o meu dinheiro preferia receber os subsídios por inteiro do que repartidos em 12 meses.

No ano passado os seis primeiros meses correram bem, só que a partir dali nunca mais consegui juntar os respectivos subsídios e fui gastando.

Bem, em vez de entregar a declaração aos Recursos Humanos tive de entregar ao Big Boss.

O Bigodes quando viu o papel fez um grande drama.

Começou assim: Não acredito que me estás a entregar isto. És o primeiro que me pede (mentira já dois colegas tinham pedido). Começou a fazer o choradinho que é difícil, repartir os subsídios é mais fácil, bla bla. Parecia uma velha queixosa.

Ate que eu disse: Mas só quero receber metade, não é mau.

Exaltou-se pegou na folha e barafustou imenso.

Eu já fodido com ele, disse bruto, tirando-lhe a folha da mesa e amachucando-a: Dê-me cá essa MERDA. E dito isto saí da sala.

Aposto que quando saí da sala ele riu-se.

(Eu queria ter dito "Oh pah meta o papel no cú, mas não disse.)

 

Penso que foi a primeira vez que fui mal educado com ele.

 

A vantagem de receber em duodécimos é o dinheiro ficar sempre no meu bolso, aconteça o que acontecer, mas dava-me jeito à antiga.

Gente parva que não pensa nos outros

Tive um convite para jantar no Domingo.

No Domingo? Inventei uma desculpa que não podia ir.

Devia ter ido porque um amigo chegava da América e era um jantar surpresa. Porém eu sei bem como acabam aqueles jantares. Por isso não fui. E não tive pena. Porque ia acordar de manhã mal disposto e cheio de sono. E com secura na boca.

 

Hoje quando fui ao telemóvel vi duas chamadas (FaceTime) às duas da manhã. Dormia tão bem que nem dei pela chamada, e tinha o telemóvel com som. 

Isto chama-se má educação.

É claro que se tivesse dado pela chamada não ia atender na mesma por adivinhar que dali só vinha conversa de gente bêbeda. 

E eu não tenho paciência para gente bêbeda quando estou são e mais ainda a dormir.

 

Não sei se foi por ser segunda-feira

Antes de dormir vi na prateleira uma estrela de Ferrero Rocher, e adormeci.

Acordei de madrugada e o primeiro pensamento foi comer chocolates. A sorte é que naquela caixinha em forma de estrela só existiam três bolinhas de chocolate. Deitei-me, adormeci, acordei com desejo de mais chocolate, fui até à sala comi uns pais natal pequeninos. Adormeci.

Daí a pouco acordei cheio de fome e fui comer. Eram três horas da manhã. E adormeci até de manhã.

Não tive uma noite descansada.

Observo logo existo

Quando estudava na Ajuda e andava em transportes públicos, tinha como passatempo observar as pessoas com que me cruzava.

Tentava adivinhar-lhes as profissões e os hobbies. Inventava-lhe histórias e filhos e passatempos.

Havia aquelas pessoas que apanhavam sempre o 23 à mesma hora. Eram um género de vizinhos dos transportes públicos. Já sabia quem saia na paragem das Amoreiras ou quem entrava.

Os pedintes do Metro com as suas ladainhas ou os artistas de ruas.

Não tenho saudades de andar de transportes públicos, mas tenho saudades daquele tempo e daquelas pessoas que não conhecia.

 

Agora que mudei de casa e começo a conhecer os vizinhos do bairro, de vista, faço o mesmo, observo os seus hábitos adivinho-lhes os trabalhos, os dramas. Faço-lhes historias, que aparecem na minha cabeça como filmes.

 

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