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o Homem Certo

lembrei-me de manhã

Hoje no trabalho enquanto ouvia uma musica do Rui Veloso e cantarolava, como se estivesse a fazer um dueto, lembrei me de duas histórias.

 

Devia ter 13 anos, fui com os meus pais e uns primos a um bar, havia Karaoke, não sei o que me deu, decidi cantar. Escolhi a canção do engate e fui sem vergonha nenhuma, cheio de certezas, por saber cantar muito bem. Vai daí quando comecei a cantar comecei a perceber que estava a cantar mal, pior que mal, desafinar todas as notas e mais algumas, tive coragem e desafinei até ao fim. Quando cheguei à mesa, estava tudo a rir, que vergonha, a minha prima ainda disse para tentar animar muito bem, Boa Miguel. Já a minha mãe disse logo: Oh Miguel para fazer uma triste figura mais valia teres ficado quieto. Descobri ali que a minha carreira não passava pela musica.

 

Mais tarde nas primeiras férias que passei com Mr. HT fomos a um bar, estavam meia dúzia de pessoas, estava super divertido, e desafiei ou fui desafiado a cantar. Escolhi uma do José Cid e cantei mal, mas cantei na boa. Como até gostei e era pouca gente e se me lembro bem turistas, arrisquei mais uma.

O bar estava quase vazio. Entretanto o Sr. do Karaoke nunca mais me chamava, e eu já em pulgas a começar a ficar arrependido. Foi chegando gente e eu a rezar que o Sr. se tivesse esquecido, e o bar a encher, a encher, eu tinha escolhido Como O Macaco Gosta De Banana em jeito de dedicatória.

Quando sou chamado pensei em fugir, mas não deu e quando vou cantar chegam um grande grupo de miúdos, e eu vermelho que nem um tomate a desafinar, a fingir que estava super à vontade, entretanto no refrão já era tudo a cantar e tudo abraçado como se fossemos todos amigos num grande divertimento. E no fim pensei que valeu a pena, e assim quando me lembro ainda rio,

 

Segunda-feira nunca mais chegava as 18:00

Levantei-me ao segundo toque do despertador, deixei o telémovel cair, depois de bater no chão, ainda lhe mandei um bico, sem querer, não se partiu. 

Acordei de birra.

Tratei do cão.

Tomei o pequeno almoço.

Saí em cima da hora, cheguei ao trabalho mesmo à hora. Depois das boas vindas e das perguntas do como foram as férias, lá me fui metendo a par da situação. Trabalho em atraso, não muito, mas comecei logo a bufar, sem necessidade, mas sou assim.

Ás tantas embrulhei o trabalho todo, parece que tudo estava a atrapalhar, quase nada funcionou muito bem, depois das quatro desisti e fiz ronhite.

Saí a horas e com um mega sorriso, porque normalmente o stress do trabalho acaba quando saio da porta para fora, e quando me meto no carro e saio ao portão da empresa, é uma alegria tipo euromilionário.

Ainda passei com a Diana (o meu cão), quase que andou de rojo, porque trazer-a à rua é uma luta constante que vou vencer.

E agora estou a relaxar e a fazer tempo para ir beber café e espairecer.

Analisando bem há dias piores.

De volta a casa

Fico sempre triste quando chega a domingo e se acabam as férias. 

Carregar o porta bagagens do carro com a mala, mais o saco dos sapatos, mais a almofada, mais as coisas do cão, mais o cão, limpar a casa, sair, fazer a viagem, parar para esticar as pernas e beber café.

Chegar a casa carregar todas as coisas que trouxe, arrumar tudo, limpar o xixi do cão, que teve muito tempo na rua para fazer, porém preferiu fazer no seu cantinho para eu depois ir limpar, como a dar as boas vindas.

Sentar-me na minha cadeira a relaxar e esperar por uns caracóis para o lanche.

Esperar que a família se sente e conviva em volta da mesa é muito bom, apesar de preferir estar em paz e descanso. Arranjar energia para brincar com os pulguinhas.

É mau acabar-se as férias, melhor é estar de regresso.

Espera-me uma semana que se adivinha difícil, cheia de trabalho em atraso.

Cheio de força para enfrentar Segunda-feira!!! (Estou a ser irónico).

Uma tarde manhosa

Almocei tarde, fui dar um passeio à barragem, que fica perto. Cheguei a casa, queria continuar a ver a minha série, que estou a ver de empreitada, How to get away with murder, falta-me um episodio, vim ao café mais próximo. O sr. é simpático e deu me a password. 

Sorte a minha dia de jogo, café cheio de velhos, tudo a beber mínis ou copos de 3.

4 velhotes falam na numa mesa próxima, Sporting, Benfica e Salazar, a conversa está a azedar, falam baixinho, mas ouço, estão aqui, estão à porrada, só espero que não me partam o PC, ou que acabe de sacar a serie.

Começou com não me podes faltar ao respeito, e já estão na parte do se não quiseres falar não fales, e estão a desenterrar o passado, mas estão calmos valha-me isso.

E pronto e para já é isto, estou aqui desconfiado que é do vinho.

O que eu faço por uma série!

O Rapaz de Bronze e sonhos parvos

Há dias li um capitulo do livro O Rapaz de Bronze, de Sophia de Mello Breyner, ao meu sobrinho, ele disse ter gostado, mas tinha sono, só li o primeiro. Entretanto fiquei a pensar que não me lembrava da historia, mas ficou por ali. 

Quando escolhi os livros para ler  nestas mini férias, trouxe-o. E li-o ontem antes de ir dormir, enquanto MR. HT lia um livro para adultos eu lia um para crianças, ele olhou para mim com cara de és atrasado, e continuei a rir, como se tivesse dez anos e a imaginar flores que falam, estatuas que se mexem, árvores que têm vida, borboletas que dão recados, e meninas que ficam em jarras, quando as flores dão festas, se não conhecem a historia leiam que é gira.

O mais triste disto tudo é que comecei a desejar ter um jardim cheio de flores, e pior a imaginar se na realidade as flores ganham vida à noite. Tenho uma imaginação muito fértil.

Antes de adormecer ainda contei o que tinha lido ao MR. HT.

Enquanto dormia comecei a sonhar, estava não sei muito bem onde, mas estava num hotel com os amigos, e íamos a uma missa, casamento ou algo parecido, tanto no hotel como na igreja sempre que passava por uma jarra ou um vaso com flores, elas seguiam-me virando-se à minha passagem e piscavam-me o olho, como não sei piscar os olhos, elas ficavam tristes e iam murchando. Eu estava aflito, tapava um olho com a mão e piscava o outro, e elas não percebiam, dizia adeus para ver se elas percebiam, mas nada, iam murchando, e eu aflito, não queria contar aos meus amigos que via as flores piscarem os olhos e se não piscasse morriam. 

Depois? Depois... como nos sonhos, acabou a cerimónia e estava preocupado com outra coisa, tinha ido à boleia, queria ir embora e ninguém ia para o mesmo lado que eu. E lá acordei devagar e sem pressas, que estou de férias.

Tenho com cada sonho mais parvo!

A Morte

O tema deste mês do Com Canela, que partilho com a Cláudia e o Ricardo é A Morte.

 

A Morte é a coisa mais difícil da vida. O meu pai do alto da sua sabedoria popular lembra-me muitas vezes que para morrer é preciso estar vivo.

Pode ser uma coisa má, mas também uma coisa boa, porque a Morte liberta, acaba-se a dor e o sofrimento. Quando penso nisto lembro sempre da minha avó Chica que demorou dois meses a morrer, em sofrimento, apesar dos sedativos para não ter dores, sofria, por estar agarrada a uma cama e sem saber muito bem o que seguiria, não conseguia mexer-se, nem comunicar, tentou me dizer várias coisas antes de ficar inconsciente e morrer, e nunca consegui perceber.

A vida segue sem aqueles que amamos que adormeceram para sempre.

Lidamos muito mal com a Morte, em Portugal celebra-se pouco a Morte, e há um desejo enorme e uma pressa ainda maior de enterrar os mortos. Não se fazem homenagens, não se faz nada, normalmente acompanha-se o morto à cova e já está. Nunca se pensa no rito, nunca se ensaia em vida, nunca se fala.

Desde pequeno que a Morte está presente, muitas pessoas morreram, uns com mortes suaves outros mais dramáticas.

Imagino como será chegar aos 84, como no caso da minha avó Vivi e ver desaparecer tanta gente querida e mesmo assim querer continuar viva e cheia de alegria de viver cada dia com maior felicidade.

Chocou me bastante a morte do meu primo João que morreu aos 28, tínhamos 6 meses de diferença, isso mudou toda a maneira de viver a minha vida, passei a saber com certeza e de perto que a Morte tanto leva velhos como novos. Ainda por cima estávamos meio zangados, mas escrevi uma carta ao morto que mostrei a duas ou três pessoas e superei a minha dor.

A morte dos outros às vezes acaba com a vida dos vivos, matando-os aos poucos, costumo dizer que morrem para vida. 

Ela ensina-nos muitas coisas, mas às vezes somos tão parvos que não percebemos que estamos cá pouco tempo e não devíamos ser mesquinhos e apenas tentar amar uns aos outros e perdoar quem nos fez mal, e se não conseguirmos perdoar, ao menos que tentemos perceber o erro e desculpar, se possível.

Nos dias a seguir a uma morte ficamos tocados pela vida que temos e damos graças, mas a seguir esquecemos e continuamos estúpidos como se fossemos imortais e tivéssemos todo o tempo do mundo.

Se há coisa que mais me entristece é saber que vou morrer. Ás vezes pergunto-me o sentido da vida, para que construir uma muralha, um castelo, uma torre se depois tudo acaba e fica escuro?

De onde vos escrevo

Estou a passar férias numa aldeia alentejana.

Aqui não se passa nada, e é o bom de aqui estar.

Não há pressas, não há filas, quando as há, por exemplo, na padaria, está tudo à conversa a comentar uma boa nova da aldeia. Aqui todos se conhecem. Venho aqui há muitos anos, mas nunca com os meus pais, então não sabem quem sou ou de onde venho. Isso faz alguma confusão, não olham de lado, mas noto uma curiosidade imensa, não há coragem para o interrogatório, às vezes ouço os comentários em voz baixa.

São muito simpáticos e prestáveis. Um dia precisava de ajuda para me montarem uma antena em casa, a primeira pessoa a quem perguntei se conhecia quem montasse antenas, claro que conhecia, o Zei faz tudo, era primo e tal e tal, estava na vacaria, vinha já. Da última vez que cá estive uma senhora que sabia que não tinha internet em casa convidou-me a utilizar a net em sua casa. Pessoas amorosas.

O meu namorado MR. HT é mais simpático e dado que eu as velhas adoram no e contam-lhe a vidinha toda sem ele perguntar nada, mostram fotos dos netos e tudo.

Quando aqui estou nesta casa, que era pelo menos do pai da minha bisavó, imagino me aqui a viver no meio do nada.

Nesta casa morou a geração da minha avó, morou toda uma família, aqui nasceram as minhas tias avós e cerca de 6 primos direitos do meu pai, incluindo-o. Umas casa pequena cheia de historia, em que hoje nada combina com nada.

Tenho inveja da calma e da serenidade destas pessoas sem pressa para nada, aqui até a senhora do posto de saúde tem tempo para vir à janela cumprimentar as pessoas e desejar as melhoras.

Gostava de viver aqui se o meu trabalho permitisse, tenho a certeza que me fartava em três meses ou talvez não.

As casas são todas brancas, algumas com barras azuis, amarelas ou verdes, de todos os lados se vê campo ao longe, consegue-se ouvir os pássaros de dia, consegue-se ouvir o silêncio e juro que muitas vezes me faz confusão esse silêncio.

Ter tempo e dinheiro

Ainda me acho novo, tenho 30 anos.

Quando penso em ser pai acho que ainda é cedo por variadíssimas razões, porém sei que o tempo passa depressa e esta era a altura perfeita.

Já devia estar a morar sozinho, em vez de me organizar por objectivos e preparar o futuro juntando umas massas, vou gastando conforme o vento.

Em vez de juntar dinheiro por exemplo para fazer umas férias grandes num resort, de preferência, para estar ali de papo para o ar e engordar 6 quilos, vou gastando em jantares, em vinho e saídas e míni ferias no Alentejo.

Não vou ter tempo para ir a todos os países e cidades da minha lista. Não vou ter tempo para ler todos livros, nem ver todos os livros, nem brincar todas as brincadeiras com os meus sobrinhos, nem passear todas as vezes com a minha mãe. 

Quando eu tiver tempo os meus sobrinhos já serão grandes e não irão ter tempo para o tio chato, o meu afilhado vai querer jogar à bola com os amigos, e a Matilde estará em frente ao espelho a escolher vestidos.

Neste aspecto tenho de gerir melhor o tempo, e tenho feito um pouco melhor, mas não o suficiente. É como se o meu tempo fosse muito curto e o precisasse apenas para mim.

E quando reparar terei 82 anos e fiz muita coisa e se calhar vai me saber a pouco, porém não deixarei de viver o dia de hoje, para viver o de amanhã ou daqui a quinze dias ou anos, porque não saberei quantos anos terei pela frente, nem quero saber.

Ser daltónico

É um pouco chato mas vivo bem com isso. (Que remédio!)

Para quem não sabe o Daltonismo é uma perturbação da percepção visual caracterizada pela incapacidade de diferenciar todas ou algumas cores.

Eu não distingo algumas. 

Por exemplo, uma vez comprei uma t-shirt roxa a pensar que era azul. Os roxos, lilases, amarelo torrado, etc. etc. não existem para mim.

A minha roupa é quase toda azul, castanha, branca e cinzento, tenho ainda umas coisas cremes, só as t-shirts é que tenho mais cores.

Quando vou comprar roupa e tenho duvida na cor que vou comprar, peço sempre ajuda. Ás vezes vou sozinho fico indeciso nas cores e não compro.  

Na escola era mais difícil, quando tínhamos que pintar, arranjei um método para me safar, quando estafa indeciso entre um verde e um castanho, por exemplo, perguntava ao colega do lado, qual deste castanho é mais giro, e ele respondia olha este é castanho aquele é verde, e assim ia-me safando.

Não suporto, o teste que fazem sempre, quando digo que sou daltónico, quer cor é esta? E aquela? E outra? Vou sempre acertar algumas e falhar outras. Que chatice!

3 Horas intermináveis

Sou agente imobiliário em part-time, tenho vários imóveis de dois particulares que faço a gestão, uns para arrendar e outros para vender.

É um trabalho que gosto, e quando há negócio dá dinheiro, porém há pessoas terríveis, chatas e muito más de aturar. Por vezes essas pessoas tornam o trabalho difícil. Eu vou tendo paciência ou vou fingindo que tenho.

Já consegui arrendar casa em 10 segundos, e fechar o negócio logo de seguida, a senhora entrou deu dois passos para a esquerda, dois para a direita e já estava a dizer que gostava, e ao fim de dez passos pelo apartamento, disse que ficava com ele. Já tive outros bem mais difíceis, demorarem uma hora e meia.

Na sexta feira estive com um casal que queria comprar um apartamento e tivemos 3 horas e meia, e não viram assim tantos apartamentos viram apenas três, ele gostava, ela não. Horas de conversa para os convencer, faz parte, eu sei. Mas é difícil, principalmente quando a senhora parecia uma cassete riscada e de cinco em cinco minutos dizia a mesma coisa. Houve alturas em que imaginei-me a gritar com a senhora com um: CALA-TE CAR*****.

Mas lá fizeram uma proposta e assinaram uns papeis, pode ser que o negocio ande para a frente.

O pior deste trabalho nem é estar a falar 3 horas com pessoas mas quando marcam e não aparecem, ou marcam e chegam trinta ou mais minutos atrasados.

Bom fim-de-semana.

 

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