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o Homem Certo

Pessoas (Des)interessantes

Já tinha mais de dezoito. Tinha um encontro marcado. Arranjei-me o melhor que pude. Vesti a roupa que mais gostava e me ficava melhor.

E fui à aventura, sou tímido nos primeiros dez minutos, sei dar conversa, sou mau a começar uma conversa. E se a pessoa responder com sim e não, então fica muito difícil.

Quando nos encontramos simpatizamos um com outro, era giro, e falava bem.

À primeira vista enchia-me as medidas.

A conversa fluía bem até que de repente passou a ser um monologo. O rapaz falava tão rápido, que cortava o pio, e sempre que dizia algo ele aproveitava e zás, o melhor da sua equipa, o melhor filho, o melhor aluno, o melhor vizinho, o melhor a defender os desfavorecidos, o melhor o melhor em tudo. Era tão bom que comecei a cantar baixinho aquela musica: Quis saber quem sou/ o que faço aqui/ quem me abandonou de quem me esqueci... Cheguei à fase de desespero em que já olhava para a porta e pensava desato aqui a correr e nunca mais me apanho, porém ele também devia ser melhor a correr.

Acho que o deixei de o ouvir, até que acabamos as bebidas e eu já não sabia o que fazer para não ser rude nem mal educado. Sei que saímos e ainda levei com mais meia hora de conversa até ao carro.

Levei-o a casa, e fui convidado a subir, recusei o mais gentil possível, armei-me em menino, ah já é tarde, amanhã tenho de me levantar cedo. Enfim, até me custou. Mas aposto que o rapazinho não ia calar a boca nem mesmo na hora H.

E lá fui eu à minha vidinha

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