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o Homem Certo

Parece que trabalho numa empresa de malucos 2, O Bigodes

O meu patrão é um patrão à antiga.

Deve ter 65 anos, veste-se mal normalmente, usa bigode, é um bocadinho 8 e 80, tão depressa está bem disposto como a seguir esta aos berros e vice-versa. É um forreta convicto, aprendi muita coisa com ele, principalmente a ter respeito pelo valor do dinheiro, um cêntimo é um cêntimo. 

Apesar de forreta ajuda sempre quando é preciso. Admiro-o como pessoa, mas odeio-o como patrão.

A maioria dos empregados tem medo dele, borram-se todos sempre que os chama, eu não tenho medo nenhum do Bigodes, não lhe dou demasiada importância e até hoje ainda não gritou comigo, porque quando quer é uma besta.

Tenho sempre grandes conversas com ele daquelas de cinco minutos.

Gosta de explicar tudo, mesmo que já me tenha explicado 10 vezes, e se o interromper, adivinhando o que vai dizer, revira o bigode, e continua, às vezes pergunta-me se estou com pressa.

Ao principio não o percebia, e falar ao telefone com ele ainda é pior, quase que tenho de lhe adivinhar as palavras.

Falar com ele ao telefone, é a coisa mais rápida da vida, são cerca de 10 segundas.

Exemplo:

Ele - Olha preciso que faças isto assim assim, vais não sei onde.

Eu - Mas...

Ele- Pu Pu Pu Pu - Já desligou a chamada à três segundos a trás.

 

Acho que me gosta de experimentar, ás vezes pergunta quanto é que tenho a receber, dos negócios que fazemos, e eu digo o valor e ele passa o cheque, uma vez sem querer enganei-me e ele rectificou logo não é X é Y.

Sempre atento e em questão de dinheiro duvido que alguém o consiga enganar.

Já me enrolou algumas vezes, em que fico a perder e sou dou conta passado uma horas, às vezes dou logo, mas ele é que manda.

Palavra dita do Bigodes não é retirada e muitas vezes poucos têm coragem de a contestar.

 

Uma vez quase brigamos, ele ordenou que a partir daquele dia ia se fazer de uma nova maneira, eu disse que não dava, mandou me fazer no terreno, eu já sabia que não dava, mas fingi que fui tentar, entrei na sala dele, sentei-me e tivemos um discussão assim:

- Quero assim

- Não dá

- Mas eu quero assim

- Não dá

- Mas não dá porque?

- Expliquei

- Ah mas assim e assado

- Não dá

E repeti não dá, cerca de dez vezes até ele me mandar embora, e mais tarde ir constatar ele mesmo o facto.

E dessa vez ganhei.

 

E é assim, e fora do trabalho é um brincalhão, excelente anfitrião, um doce. Ali na empresa podia dizer que é uma besta. Mas no fundo e no geral até gosto dele.

 

 

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2 comentários

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    O Homem Certo 02.06.2015 07:33

    Sim, se calhar 😀
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