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o Homem Certo

Não sei quê

Enquanto caminhava para casa tive a sensação de nunca mais chegar, como se tivesse andado Kms, e não eram assim tantos passos, senti que aquela sensação era uma metáfora para a minha vida.

Caminho, caminho e nunca chego a lado nenhum, ou ao lado que quero, a maioria das vezes nem sei bem para onde vou ou onde  quero ir, o importante é andar.

 

Faço contas, faço contabilidade mental, contas para pagar, gastos, desejos, férias. A cabeça não para. Faço orçamentos para este mês, para o próximo e o que há de vir depois. Já tenho as contas feitas até ao Natal, mentalmente claro.

 

Sonho, sonho, sonho, acordado, muito acordado, vou sonhando, A dormir também, misturo tudo nos sonhos e de manhã rio-me de ser tão parvo e criativo ao mesmo tempo no meu sonhar.

 

Escrevo posts na cabeça que mais tarde não me lembro ou não fazem sentido ou não escrevo para não me acharem atrasado ou não tenho coragem para o ser.

 

Mando toda a gente se foder mentalmente quando me chateiam a cabeça, e discuto com elas, e faço filmes. Mando o meu patrão para aqui e para ali, como quem diz vai pó caralho não me chateeis a cabeça, vai lá tu fazer, enquanto sorrio e dou-me ao trabalho de lhe tentar dar a volta e amansar a fera.

 

Cago naquilo que o meu chefe diz só para me chatear ou picar, para descarregar as suas frustrações. Com; já falamos sobre isso, ou outra vez a mesma conversa, ou com silêncio, para não o mandar para aqui e para ali,contudo como ele é muito teimoso, sei à partida que não me vai fazer a vontade.

 

Respiro fundo sempre que uma colega me vem contar a história de merda do filho, da prima, da mãe, da quadrilhice alheia, do que fez para o jantar, e respondo no automático para não ser mau e dizer apenas, não estou interessado.

 

Aperto o pescoço na minha imaginação ao meu colega cada vez que inventa uma historia, que lhe apanho uma mentira, que fala dos seus hoobies chatos, e tenho de gramar com a conversa por não ter tomates para o mandar para onde lhe apetecesse ir.

 

Prometo visitar o meu afilhado amanhã, beber o tal café prometido ao Pedro, almoçar com a Diana e Andreia que não vejo à séculos, mas amanhã não deu e a seguir sei que estou cansado, e assim se passam semanas, meses ou anos.

 

Respiro e respiro, fundo, para ser bom filho, para ter paciência, para dar atenção a todos, para ama-los incondicionalmente, sem isto ou aquilo, sem magoas ou remorsos, vou conseguindo uns dias sim, outros não.

 

Às vezes meto-me em off e levito de onde estou e viajo por aí, vou fazendo o meu trabalho, respondo aos colegas no piloto automático, faço gestos, e não estou ali, estou ou a viajar, a rever um filme, um livro, uma peça, qualquer coisa que me afaste dali, que me ocupe o cérebro, que me desconcentre e que me evada por umas horas, até que alguém se apercebe e me acorda daquele transe.

 

E assim é que não sei quê.

 

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