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o Homem Certo

A vergonha de falar em dinheiro

Acho feio dizer quanto gastamos num objecto, num jantar, numas férias, seja o que for, sem necessidade ou só para dizer que somos ricos.

 

No que troca a trabalho não perdoo. Seja o que for, seja um euro ou mais zeros.

Há pessoas que se acanham e os patrões agradecem, tenho a sensação que a malta tem vergonha de falar em dinheiro, não vá a pessoa que lhes paga o ordenado, ficar a saber que elas precisam do dinheiro. (Estou a ser irónico). Trabalhamos para receber. Eu vendo o meu trabalho no fim ele paga esse serviço.

 

O Bigodes combinou um valor com a minha colega, que não cumpriu, deu-lhe metade do combinado. E ela com vergonha ou não sei, nada disse.

Fez me a conversa, e eu prontifiquei-me a falar com ele. Na altura que ia falar com ele ou esquecia-me, ou faltava-me coragem para por o assunto, porque na realidade nada tinha a ver com o assunto.

Hoje aconteceu a mesma coisa. Depois de um negocio fechado a minha colega mostrou-me o cheque e queixou-se. Eu pensei porquê é que não lhe disse que não era o valor certo. Enfim... Prometi que falava com ele. Apanhei-o no corredor e disse: ... A Dona Fulana ficou zangada consigo,é que você prometeu isto e deu-lhe outro valor. Ele foi apanhado de surpresa, pensou três segundos, mexeu o bigode, e disse-se inocente, ahhhhhh devia-se ter enganado, ia logo resolver o assunto, que chatice, que maçada. Pois, pois, eu conheço-o bem.

 

A minha colega ficou toda contente e agradeceu-me.

E fiz a minha boa acção do dia.

 

E é isto com dinheiro não se brinca.

Mãe e filha, só que NÃO!

Estávamos à conversa, em negocio.

Uma senhora cinquentona com uma menina de vinte e outro cliente.

A menina ficou sempre calada e à parte, enquanto a senhora mais velha falava para o senhora a seu lado, eu meti conversa com a miúda.

 - Então és colega? - disse eu

 - Não! - Adoro pessoas faladoras que respondem sim e não.

 - Ahhhhhh estás a aprender, estagiaria?

 - Não. - comunicativa, pensei, irra, mais uma e desisto de por conversa.

 - Ah veio com a sua mãe...

 - Não é minha mãe.  - Baixou os olhos, corou e sorriu.

Eu ri-me. Só depois de cinco segundos é que percebi que eram namoradas, que tonto, nem reparei, claro. E pronto achei-me o gay menos atento da zona.

Enfim ninguém adivinha, calei-me continuei nos negócios.

 

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